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História da Arte

DI CAVALCANTI

(Manuella Nobre, Roberta Meleiro, Clara Cunha, Rayssa Felicio, Anna Lima e

Gabriela Gomes-pesquisa de vídeo, Turma 2C-CAp-Uerj/2022) 

(por Izabelly Christine Ferreira Peixoto da Silva, Lorena Ferreira da Silva Carvalho e Gabriel de Souza Gomes, Turma 2D-CAp-Uerj/2022)  

Cavalcanti

Nascido em 6 de setembro de 1897, no Rio de Janeiro, Emiliano Augusto Cavalcanti de Albuquerque, mais conhecido como Di Cavalcanti, foi um pintor, ilustrador, caricaturista, gravador, muralista, desenhista, jornalista, escritor e cenógrafo muito influente na arte brasileira.

EMILIANO DI CAVALCANTI – ” Caricatura / Autorretrato”, nanquim sobre papel,assinado no canto inferior direito e datado de 1964. Localizado PARIS.
E di Cavalcanti, ” auto retrato ” tecnica mista 19 x 14 cm. Ass.

Sua vida na carreira artística se inicia com onze anos, quando foi aluno do pintor Gaspar Puga Garcia. Aos 13 anos, o artista teve a divulgação do seu trabalho em uma revista famosa na época.

No ano de 1916, Cavalcanti ingressou na faculdade de Direito, quando conheceu Mário e Oswald de Andrade no ateliê do impressionista George Fischer. Em 1917, o artista teve sua primeira exposição na redação de “A cigarra” e, em 1919, trabalhou  como ilustrador  para o livro “Carnaval”, entre outros.

Em 1946, ilustrou livros de escritores famosos, com isso foi ocupando o seu espaço no mundo artístico e o reconhecimento de suas obras.

Di Cavalcanti teve também o privilégio de expor 11 de suas obras e algumas ilustrações publicitárias no Teatro Municipal de São Paulo.

Quando resideu em Paris, expôs suas obras por lá e também em Berlim, Amsterdã e Londres. E refugiou-se, em Paris, durante a ditadura militar.

Autor da ideia da famosa Semana de Arte Moderna de 1922, junta a Anita Malfatti e os irmãos Oswaldo e Mario de Andrade, sua arte contribuiu significativamente para distinguir a arte brasileira de outros movimentos artísticos de sua época através de suas reconhecidas cores vibrantes (influência do Fauvismo), formas sinuosas e planos geometrizados (por consequência das tendências do Cubismo) e temas tipicamente brasileiros como carnaval, mulatas e o Tropicalismo. Críticos de sua obra dizem que Di Cavalcanti conta-nos, em lápis e tintas, o modo tão brasileiro do que se vê e sente, com uma espontaneidade que retrata o que é essencial.

Capa do catálogo da Semana de 22 e cartaz do evento, ambos criados por Di Cavalcanti.

Boêmio, já fora e ainda é bastante comparado, talvez um termo mais adequado seja associado, a um grande amigo, Vinícius de Moraes. Ambos, acreditavam que dessa vida poderiam levar apenas prazeres, algo que levou o crítico Jaime Maurício a dizer que o pintor “fez da boemia uma bandeira romântica”.  

O artista é reconhecido como “um homem de muitos carnavais”, inclusive, por retratar em quatro diferentes obras sua homenagem à festa: “Carnaval”, “Carnaval I”, “Carnaval II” e “Grupo Carnavalesco” – todas realizadas na década de 60/70.  

O artista, um grande fã do Carnaval, retratou máscaras, pierrôs e colombinas muito próximos à sua origem carioca. 

Carnaval II, 1965. Di Cavalcanti 
Óleo sobre tela, c.i.d. 
146,00 cm x 114,00 cm 

Quando perguntado sobre a festa do Carnaval, Di comentou: “No carnaval, eu sempre senti em mim a presença de um demônio incubado que se desvendava como um monstro, feliz por suas travessuras inenarráveis. É uma das formas de meu carioquismo irremediável e eu me sinto demasiadamente povo nesses dias de desafogo dos sentimentos mais terrivelmente terrenos de meu ser”.  

Logo à primeira olhada somos tomados pelo ritmo frenético da obra. As cores vibrantes garantem todo o impacto e turbulência que não deixam nossos olhos descansarem e convidam a adentrar esta grande celebração do hedonismo. As cores sempre muito vivas e, em sua maioria, puxadas para tons quentes nos lembram e nos dão essa sensação de calor, de sol, de Rio de Janeiro.

Em primeiro plano, um cavalheiro de cartola nos fita com uma cara de que “vai dar ruim” – já adiantando o provável desfecho deste e de todos os Carnavais. Enquanto isso, a moça à frente não corresponde e parece achar que ali é um bom contexto para equilibrar um cesto na cabeça; enquanto outra, ao seu lado, vende frutas – que é o que o pessoal consome no carnaval. Do lado oposto da obra, vemos outro cavalheiro elegantemente vestido de terno, observando placidamente toda a balbúrdia enquanto contempla essa coisa doida que é a existência humana, onde um dia se chora para ganhar o pão e, no outro, se comemora, como se a passageira euforia dos ébrios fosse capaz de dar significado a esta existência desgraçada a que chamamos “vida”.

As figuras, muitas vezes, possuem uma acentuação um tanto geométrica, que nos faz lembrar bastante o artista Pablo Picasso. A maneira como Di brinca com as formas, cores, expressões dos personagens da obra, tornam a cena mais lúdica e, de certa forma, com uma atmosfera um tanto mágica.

Di Cavalcanti faleceu no Rio de Janeiro, no dia 26 de outubro de 1976.  

Referências bibliográficas

https://enciclopedia.itaucultural.org.br/obra4610/carnaval

http://www.dicavalcanti.com.br/apresentacao.htm