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Artistas em pesquisa

BEATRIZ MILHAZES

(por Priscilla Souza)

Beatriz Milhazes, artista natural do Rio de Janeiro, nasceu em 1960.

A carioca costuma dizer ser “uma artista brasileira internacional”. Atualmente, é considerada como a artista “viva” mais “cara” do país.

Formou-se em Comunicação Social pela Faculdade Hélio Alonso, em 1981. Iniciou sua carreira artística como aluna na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, onde também atuou como professora de Pintura.

Suas produções envolvem desde a pintura, colagem e serigrafia a murais e trabalhos arquitetônicos. Porém, também desenvolveu trabalhos com a cenografia, que a permite trabalhar com a tridimensionalidade de forma mais colaborativa.

Em suas obras, há a apresentação do abstrato geométrico, relacionado com a arte popular brasileira e com os segmentos de Artes Aplicadas: como o artesanato e o bordado.

Suas grandes pinturas produzidas em painéis demonstram também uma organização das formas e o intenso jogo cromático que se complementam e contrastam numa estrutura compositiva que propicia vida ao imaginário.

De fato, suas composições são finalizadas com êxito através da cor, algo visto desde suas primeiras obras, como “Paz e amor” (1992) (fig. 2).

Fig. 2

Em entrevista ao Programa Andante da TV UERJ (2013), a artista relata que “Cor, forma, composição são elementos estruturais da pintura em si e do qual me aproprio para desenvolver a minha própria ordem. Sempre me considerei uma artista geométrica. E estou sempre introduzindo situações novas, novos problemas para desenvolver e para serem resolvidos.”

Suas bases de inspiração para a produção de obras: desde o movimento Modernista nacional ao Modernismo europeu; o Concretismo; o Construtivismo Abstrato e a Op Art. É possível identificar misturas dessas referências com uma nova produção contemporânea, algo muito explícito em suas obras como “O Mágico”, de 2001 (figura 3) e “O Elefante azul”, de 2002 (figura 4).

Fig. 3
Fig. 4

“Milhazes, antes de ser pintura, é cor.”

Ao longo de sua carreira, Milhazes buscou relacionar o erudito com a Arte popular brasileira, incluindo o carnaval carioca, o folclore, músicas e artesanato, tendo como base estudos e observação de artistas, tais como: Tarsila do Amaral, Henri Matisse, Piet Mondrian, Sonia Delaunay e Bridget Riley.

Desenvolveu seus trabalhos também sustentados pelos seu conhecimento na História da Arte brasileira, como o Barroco, o movimento antropofágico, o Tropicalismo e, principalmente, o carnaval.

Embora nunca estivesse envolvida com o carnaval de forma ativa e efetiva para suas composições, sempre foi uma grande admiradora do evento, considerando-se como uma “carnavalesca conceitual”. Desta forma, começou a desenvolver suas primeiras ideias, criando obras como “O carnaval” (figura 5).

“O Carnaval no Rio de Janeiro sempre foi um ponto muito importante como referência para o meu trabalho. Gosto da liberdade que os carnavalescos têm de desenvolver os temas e de poder utilizar a cor, a forma e a selvageria dos movimentos.”

Fig. 5

“Sou uma carnavalesca conceitual. O mesmo acontece
com a cultura psicodélica e a religião, ainda que eu acredite em Deus.
Acho que uma caminhada na praia é a melhor maneira de se conectar
com a geometria séria do carnaval”.

A artista carioca não apenas faz história na pintura contemporânea brasileira como também tem grande importância na arte tridimensional. Através da Obra “Gamboa”, de 2010 (figura 6), Milhazes exprime um pouco do estilo de vida carioca criando grandes móbiles num ambiente imersivo do bairro da Gamboa.

Fig. 6

Outra obra que merece destaque em sua carreira é o cenário do espetáculo de dança “Camélia” (figura 7).

Fig. 7

Vale ressaltar que, como artista internacional, Beatriz Milhazes, através de suas obras, transfere um pouquinho das raízes brasileiras culturais (que a inspira) para suas produções instaladas em diversos pontos do mundo facilitando, assim, o acesso à cultura brasileira para aqueles que nunca tiveram conheceram de perto nossa pátria.

No mural “Gamboa Seasons”, San Diego, EUA, a artista representa através de quatro telas, as quatros estações do ano no bairro carioca da Gamboa (Figura 8).

Fig. 8

Um outro exemplo do alcance de suas obras pelo mundo afora é a obra “Paz e amor”, no metrô de Londres (Figura 9).

Fig. 9

REFERÊNCIAS DA PESQUISA

Catálogo EAV Parque Lage: Exposição “Campo”

http://eavparquelage.rj.gov.br/wp-content/uploads/2019/08/campo_catalogo.pdf

http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa9441/beatriz-milhazes

https://www.guiadasartes.com.br/beatriz-milhazes/obras-e-biografia

GNT: ‘Arquitetura da Cor’: documentário entra no universo artístico de Beatriz Milhazes. Publicado em 14/04/2015.

https://gnt.globo.com/programas/gntdoc/noticia/arquitetura-da-cor-documentario-entra-no-universo-artistico-de-beatriz-milhazes.ghtml

https://masp.org.br/exposicoes/beatriz-milhazes-avenida-paulista

Mundo da dança: Espetáculo “Camélia” se apresenta no Galpão Gamboa. https://www.mundodadanca.art.br/2013/09/espetaculo-camelia-se-apresenta-no.html

Rio&Cultura: Exposição Meu Bem [Beatriz Milhazes] em Paço Imperial

http://www.rioecultura.com.br/expo/expo_resultado2.asp?expo_cod=1961

Sesc: Beatriz Milhazes: Um Itinerário Gráfico.

https://www.sesc.com.br/wps/wcm/connect/d8308c7f-0960-4dc7-a8d0-a01b79bd31cd/catalogo_BM_web.pdf?MOD=AJPERES&CACHEID=d8308c7f-0960-4dc7-a8d0-a01b79bd31cd

Select Art: As quatro estações de Beatriz Milhazes na íntegra

https://www.select.art.br/as-quatro-estacoes-de-beatriz-milhazes-na-integra/

Youtube. Canal Eav Parque Lage: [Campo] – Beatriz Milhares (entrevista)

Youtube. Canal Produção Andante. Beatriz Milhazes – Programa Andante