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História da Arte

HECTOR CARYBÉ

por Marco Antonio da Silva.

Conhecido como Carybé, Hector Julio Paride Bernabó, fora o filho mais novo de um italiano e uma brasileira. Nascido em 1911 na cidade de Lanús, Buenos Aires, Carybé acompanhou de perto as transformações do século XX tanto na América do Sul quanto na Europa.

Sua família viajava muito, chegando a passar um período antes da primeira guerra mundial em Roma, posteriormente mudando-se para o Rio de Janeiro e Buenos Aires. A vocação artística descende de sua mãe que fazia artesanato e ensinava o ofício a ele e seus irmãos mais velhos. Durante boa parte da infância o artesanato fora o sustento da família. Carybé e seus irmãos trabalharam na decoração de hotéis e no carnaval carioca.

Durante a década de 1920 trabalharam como ilustradores para alguns periódicos e no final da década ele tem uma passagem pela Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro, e segue retornando à Argentina. Na década seguinte, 1930, se encanta pela Bahia participando ativamente da renovação das artes plásticas. E dedica-se ao estudo do  Candomblé, capoeira, samba de roda e a cultura afro-brasileira em Salvador.

Carybé se instala definitivamente no Brasil e se naturaliza na década de 1950.

Os trabalhos de Carybé são distribuídos em pinturas, gravuras, mosaicos, entalhes, murais, azulejos. O tema comum é o cotidiano de pessoas humildes: os trabalhadores, as lavadeiras, a população e o cotidiano da Bahia, além da religiosidade do Candomblé.

Ao longo de sua carreira, Carybé manteve relação muito próxima com Jorge Amado, ilustrando diversos livros do escritor, e diversos outros proeminentes artistas como Rubem Braga, Pierre Verger, Mario Cravo Júnior, Genaro.

Talvez a obra mais icônica, voltada para o imaginário religioso, de Carybé seja Iconografia dos Deuses Africanos no Candomblé da Bahia. Um trabalho fruto de mais de 30 anos de estudo e dedicação à cultura afro-brasileira. São 128 aquarelas compiladas em uma publicação de 1980. Servindo como marco histórico na iconografia da cultura brasileira.

Fazendo um paralelo com a obra de Debret, o recorte de Carybé não é apenas um registro de costumes da cultura brasileira, é um exemplo de preservação e enaltecimento dos valores oriundos da África e por ventura, do sincretismo de diversas culturas que formam a religiosidade brasileira.

Para conhecer mais do trabalho de Carybé visite o Instituto Carybé.